sexta-feira, 2 de outubro de 2026
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Todos querem agentes de IA, mas os dados da empresa ainda não estão prontos: o gargalo que a corrida corporativa expõe

Um levantamento citado pela MIT Technology Review diz que 100% dos inquiridos pretendem usar IA agêntica em dois anos, mas em empresas 'atrasadas' em dados a IA acede a 30% ou menos da informação. Cruzámos isso com entrevistas e anúncios; a fonte principal tem baixa fiabilidade medida.

LM Salvado
LM Salvado

October 2, 2026

Todos querem agentes de IA, mas os dados da empresa ainda não estão prontos: o gargalo que a corrida corporativa expõe
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Nenhum dado do nosso dossiê é específico do Brasil ou de Portugal, e dizê-lo logo é a primeira regra desta peça. A lição serve a quem investe ou trabalha em bancos, seguradoras e empresas de língua portuguesa: antes de a IA 'agir' sozinha, é preciso saber se ela alcança os dados da empresa e se alguém confia no que ela decide. O que o dossiê mostra é uma corrida de adoção que bate num problema mais antigo e menos vistoso, que é o estado dos dados.

A procura é total; o acesso aos dados não

Segundo o relatório 'Scaling AI agents with trustworthy data', publicado pela MIT Technology Review, 100% dos inquiridos planeiam usar IA agêntica nos próximos dois anos, e 69% esperam usá-la de forma generalizada.1 O mesmo texto afirma que, nas organizações classificadas como 'data laggards' (retardatárias em dados), o acesso da IA aos dados da empresa cai para 30% ou menos.1

A síntese que acompanha o nosso material fala em acesso a cerca de 45% dos dados da empresa e em apenas metade das organizações confiando nas decisões dos seus agentes. Esses dois números não aparecem como afirmações verificadas no dossiê, por isso não os tratamos como factos confirmados. Fazem parte do resumo narrativo, e é assim que devem ser lidos.

Uma ressalva sobre a fonte. Na nossa medição, só 0% de 11 afirmações verificadas desse documento se confirmaram.1 A amostra é pequena, mas o resultado é mau. A direção que o texto aponta (procura alta, dados e confiança baixos) é plausível e coerente com o resto do material. Os percentuais exatos, porém, devem ser lidos com cautela até haver confirmação independente.

Quando a governança vira o produto

As grandes empresas já tratam o problema como uma questão de controlo. Em 22 de julho de 2026, a Manulife e a Microsoft anunciaram a renovação e ampliação da parceria, num acordo de cinco anos. A seguradora vai adotar a Frontier Suite da Microsoft, implantar o Agent 365 e expandir o Microsoft 365 Copilot para mais de 30.000 funcionários.2 Shamus Weiland afirmou que a parceria é 'a critical enabler of Manulife's continued evolution into a truly AI-driven organization'.2 O título do anúncio fala em 'governança' antes de 'inovação'.2

Em 21 de julho, a Box apresentou controlos para proteger agentes de IA que operam sobre conteúdo empresarial: guardrails para agentes, supervisão de agentes de terceiros, deteção de injeção de prompts e políticas de acesso por classificação do agente.3 O Nomura Research Institute disse esperar que a Box forneça 'the administrative features needed to safely leverage this new era of AI'.3 Ou seja, o cliente compra o direito de usar agentes sem perder o controlo do que eles tocam.

Esses dois anúncios vêm de comunicados de imprensa distribuídos pela NewsEOD. Nessa fonte, 57% de 4.954 afirmações verificadas se confirmaram.2,3 Isso quer dizer que quase metade não resistiu à checagem, por isso tratamos o conteúdo como o que cada empresa diz de si mesma.

As startups medem o mercado em salários, não em software

As startups do dossiê definem o mercado pelo custo do trabalho que querem substituir, e não pelo orçamento de tecnologia. Glenn Herzberg, da Penguin AI, diz que a empresa define o mercado como gasto com trabalho administrativo, e não como o orçamento de TI da saúde. Segundo ele, a administração da saúde nos EUA custa cerca de um trilhão de dólares por ano, cerca de um quarto de todo o gasto em saúde. Estimativas publicadas, diz, colocam cerca de 570 mil milhões de dólares disso em trabalho sem efeito nos resultados de saúde.4 Repare no ponto de comparação: um quarto do gasto total em saúde de um país. É a escala do argumento, e é uma afirmação da empresa, não um dado nosso.

Ben Thomas, da Covecta, usa a mesma lógica. O mercado seria 'tens of thousands of financial institutions globally', e a empresa não estaria apenas a 'disrupting their software budget but their labor budget as well'.5 A Covecta atende hoje bancos comerciais, credores não bancários, building societies, cooperativas de crédito e organizações de crédito privado nos EUA e no Reino Unido, com planos de ir para outros mercados.5 O Brasil e Portugal não são citados.

David Villalon, da Maisa AI, define o mercado como automação de processos em setores regulados: back office, operações e finanças, tarefas que têm de ser auditáveis, reprodutíveis e resistentes a alucinações.6 Esse é o ponto de contacto com o gargalo dos dados. Quanto mais regulado o setor, menos espaço há para um agente que não deixa rasto.

O que as contas da Nvidia mostram (e o que não mostram)

A Nvidia está no centro da infraestrutura desta onda: o nosso grafo de entidades liga ao grupo as ferramentas NeMo Guardrails e NeMo Agent Toolkit, e clientes como o Mount Sinai Health System e a Yum! Brands.7 Os números verificados vêm de relatórios à SEC e não dizem diretamente nada sobre adoção de agentes. Dizem o que o grupo gasta para produzir o que vende, e o crescimento é grande.

O custo de receita passou de 16,6 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2024 para 32,6 mil milhões no de 2025, quase o dobro.8 No primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 foi de 20,5 mil milhões, contra 17,4 mil milhões no mesmo trimestre do ano fiscal de 2026.8 O caixa passou de 7,28 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2024 para 10,6 mil milhões no de 2026, e fechou o primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 em 13,2 mil milhões.9 São valores grandes, e o dossiê não traz comparação que os torne concretos. Também não traz o peso da empresa em fundos de índice, por isso não afirmamos se o leitor já a tem na carteira.

A leitura da Via News

A análise da Via News sobre este material é que a atenção está a mudar de 'quem tem o melhor agente' para 'quem prepara os dados e controla o acesso'. É uma leitura nossa, sustentada por três fatos do dossiê: o acesso reduzido em empresas atrasadas,1 os acordos que enfatizam governança2,3 e o foco das startups em setores regulados.6 Não é uma previsão de resultados nem uma recomendação de compra.

O que acompanhar

  • Se os resultados de segurança e controlo de agentes (como os da Box) passam a aparecer em contratos e números de clientes, e não só em comunicados.
  • Se a Manulife e a Microsoft publicam resultados concretos do uso de agentes nos 30.000 postos de trabalho previstos.
  • Se aparecem dados sobre bancos e seguradoras em Portugal e no Brasil, hoje ausentes do nosso dossiê.
  • Se uma fonte de maior fiabilidade confirma os 45% e os 30% citados.

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  1. [1]News articleYahoo Finance· July 21, 2026
    Box Unveils New Controls to Secure AI Agents Operating Across Enterprise Content
  2. [2]News articleCB Insights
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  3. [3]News articleCB Insights
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  4. [4]News articleCB Insights
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  5. [5]News articleCB Insights
    Investor Interview: Primary on Casap
  6. [6]News articleYahoo Finance· July 22, 2026
    Manulife Expands Partnership with Microsoft to Accelerate Enterprise AI Governance and Innovation
  7. [7]News articleMIT Technology Review
    Scaling AI agents with trustworthy data
  8. [8]News articleMotley Fool
    C3.ai CEO Thomas Siebel Sells 453,000 Shares for $4.8 Million
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LM Salvado

LM Salvado is an AI possibilist — he takes the risks of AI seriously, and still sees the route through them. Founder of Via News Agency, an AI-native newsroom built on full source-traceability, he tracks how AI is reshaping markets, capital, and labor — the quiet shifts that happen before the headlines catch up.

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