O Banco Central do Brasil pausou cortes de juros em março de 2026, com o diretor de política monetária Nilton David sinalizando que o conflito no Irã adiciona nova camada de risco ao cenário econômico brasileiro. David afirmou que a guerra pode justificar reavaliação de como o banco calibra a política monetária após a reunião de março.
A decisão brasileira acompanha movimento coordenado de bancos centrais globais. O Federal Reserve americano mantém política restritiva, enquanto o Banco Central Europeu e o Banco da Rússia também pausaram reduções de taxas. Loretta Mester, ex-presidente do Fed de Cleveland, declarou que "o mercado de trabalho se estabilizou e precisamos manter a política um pouco restritiva para ajudar a inflação a voltar aos 2%".
Mester afirmou que "o Fed está em posição muito boa para esperar e ver como a economia realmente evolui". Ela indicou que formuladores de política querem ver evidência convincente de que a inflação está recuando para 2% ou que o mercado de trabalho está perdendo força antes de retomar cortes.
O cenário representa mudança da trajetória de afrouxamento monetário antecipada anteriormente. Bancos centrais enfrentam inflação persistente, mercados de trabalho apertados e restrições econômicas induzidas por políticas incluindo limitações de imigração e tarifas.
Para mercados financeiros português-brasileiros, a pausa coordenada aumenta volatilidade. Investidores enfrentam incerteza prolongada sobre custos de empréstimos e taxas de câmbio. O real brasileiro e ativos de renda fixa brasileiros negociados em Portugal podem sofrer pressão adicional.
Mester reconheceu que "não é um mercado de trabalho tão vibrante quanto gostaríamos, mas isso se deve às políticas impostas a esta economia, não algo que ferramentas do Fed como a taxa de juros possam resolver". Ela defendeu divergências entre membros do Fed: "Em ambiente tão difícil de ler, ter visões diferentes não é incomum".
A combinação de riscos geopolíticos do Oriente Médio com inflação persistente complica decisões de bancos centrais. Analistas esperam manutenção de juros altos por período prolongado em Brasil, Estados Unidos e Europa.

